“O que mais chamava a atenção era o seu desejo de estar junto com as pessoas”
P. Alexandre Awi, Diretor Nacional do Movimento de Schoenstatt, secretário do Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude explica como vivenciou esses dias com o Papa, numa entrevista a um estudante de teologia.
– Como é que o senhor recebeu a notícia de que acompanharia o Papa Francisco durante a JMJ?
P. Alexandre Awi – Eu recebi essa notícia através do núncio, quase dois meses antes da JMJ. Assustei-me um pouco porque já tinha vários compromissos durante a Jornada e tive de me reorganizar, e de outra parte ele pediu sigilo, eu não podia mencionar muito essa questão. Eu convivi com o cardeal Bergoglio durante três semanas em Aparecida (na 5ª Conferência do Episcopado latino-americano e do Caribe), e foi a pessoa que mais me impactou durante toda a conferência, pela sua simplicidade. A gente vê-o hoje como papa, mas ele não era diferente como cardeal. Eu tinha pelo menos a vontade de que durante a Jornada pudesse encontrá-lo, mas jamais pensei que ia estar tão próximo.
– Que traços da personalidade do Papa Francisco o senhor destacaria?
P. Alexandre – Acho que o que mais chamava a atenção era o seu desejo de estar junto com as pessoas. De alguma forma ele conseguia transmitir isso, e até aqueles que só o viam passar rapidamente sentiam que estavam sendo tomados em conta, acolhidos. Os traços da sua personalidade que eu mais destaco são a sua simplicidade, a sua humildade e ter um coração muito grande. A Jornada foi uma oportunidade para ele amar profundamente e se sentir amado pelo povo brasileiro e por todos os jovens ali presentes.
– Há algum episódio que o senhor destacaria como representativo nesta visita do papa ao Brasil?
P. Alexandre – Talvez vinculando à pergunta anterior, eu diria justamente a impressão que causava estar ali no papamóvel e ver o carinho tão grande das pessoas, os que permaneceram horas esperando o Papa na chuva, no frio. Eu lembro-me especialmente em Aparecida que ele se sentiu tocado por essa espera tão prolongada, pois fazia realmente muito frio. No momento em que descemos de helicóptero, para pegar o avião de retorno no Aeroporto de São José dos Campos, ele percebeu que muitas pessoas tinham ficado ali na grade, esperando, e fez questão de ir até eles. Atravessou pela erva, sujou os sapatos todos e não quis subir direto para o avião; para ir até as pessoas, cumprimentá-las e dar a sua bênção.




















