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sábado, 3 de abril de 2010

Bispo de Aveiro deixa apelo na sua mensagem de Páscoa


D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro, convidou os fiéis da sua Diocese a “conhecer melhor”o pensamento de Bento XVI, para preparar a sua viagem ao nosso país.

Segundo o prelado, esta visita “constitui um acontecimento de enorme importância por várias razões”, devido à “pessoa e o ministério do Papa”, à “situação cultural da sociedade portuguesa” e aos “desafios com que se debate a Igreja em Portugal”.

Leia mais em agencia.ecclesia.pt


sexta-feira, 2 de abril de 2010

Lava-pés

Ontem, quinta-feira santa, na missa das 17h, deu-se a celebração de lava-pés.

Numa cerimónia simples mas cheia de significado, o Padre Carlos Alberto repetiu os gestos de Cristo, fazendo-se servo entre os presentes.

À semelhança de Cristo, também nós nos devemos prostrar ante os nosso irmãos e fazer-mo-nos seus servos.




MB

Via Sacra - Sua Origem e Significado



A Via-sacra ou Caminho da Cruz, é um caminho de oração muito importante, pois tem como objectivo principal levar as pessoas a meditarem naquilo que é fundamental no cristianismo: o mistério pascal de Jesus Cristo, a sua morte e ressurreição. Os últimos passos de Jesus na terra são representados por uma série de imagens da sua Paixão, morte e sepultura, nas catorze estações que compõe a Via-sacra.
A devoção da Via-sacra, nasceu possivelmente em Jerusalém. Segundo uma lenda transmitida oralmente pelos primeiros cristãos, Maria percorreu várias vezes o caminho que seu filho Jesus seguiu, desde a casa de Pilatos até ao lugar do Santo Sepulcro.
Ao verem Maria a fazer estes percursos, começaram a juntar-se alguns dos primeiros cristãos para a acompanharem (isto durante o primeiro século do cristianismo).
A devoção em realizar este percurso, foi sendo progressivamente adoptada pelos peregrinos que visitavam Jerusalém, que passaram a percorrer piedosamente a Via Dolorosa, que vai da casa de Pilatos, ao Calvário e ao Santo Sepulcro. Fazer este percurso, converteu-se num hábito que qualquer peregrino devia cumprir, isto a partir do século IV.
Devido à ocupação da Terra Santa pelos muçulmanos e também às grandes distâncias que era necessário percorrer, esta devoção passou no século XIII, a ser realizada nas comunidades cristãs dispersas pelo mundo e já não no lugar original, a Via Dolorosa.
A Via-sacra estendeu-se a toda a Igreja latina, sobretudo a partir do século XV. No entanto, nesta altura, o número de estações era variável, sendo fixado definitivamente em catorze estações, pelo Papa Bento XIV, no século XVIII que ao mesmo tempo incentivou os sacerdotes a enriquecer as suas igrejas, com as representações da Via-sacra.
A Via-sacra pode ser rezada durante todo o ano litúrgico, mas adquire um significado especial durante a Quaresma, principalmente na sexta-feira Santa. Em Roma, é o Papa que nesse dia à noite dirige as estações, desde o Coliseu de Roma. Foi nesse lugar que morreram muitos dos primeiros mártires da história do Cristianismo.
A Via-sacra pode ser feita no interior de uma Igreja, mas de preferência deve ser realizada a caminhar, pois ao percorrer as catorze estações, tomamos mais consciência da nossa condição cristã: seguir Cristo. Ao mesmo tempo, de certo modo é como se estivéssemos a fazer uma peregrinação espiritual à Terra Santa.
A Via-sacra é composta por catorze estações e começa com a condenação de Jesus à morte, terminando com o corpo de Jesus a ser colocado no sepulcro.
Recentemente surgiram algumas Via-sacras que incluem a décima quinta estação, em que se valoriza a ressurreição de Jesus, complemento imprescindível da sua morte.
O Caminho da Cruz é proposto aos fiéis, não como uma mero ensinamento histórico, para que os cristãos aumentem a sua cultura e o seu saber, mas antes para mover a piedade, fomentar o amor a Deus e a chama da oração. Portanto, o cristão não deve folhear a Via-sacra como se de um livro histórico se tratasse, mas deve aumentar os seus actos de fé, esperança e caridade, mediante o percurso do Caminho da Cruz.

Da Via-Sacra do Instrumento do livro “Rumo ao Céu” do Padre Kentenich, deixamos algumas partes da primeira, décima segunda e décima terceira estações, como reflexão para esta sexta-feira Santa.

Primeira Estação: Jesus é condenado à morte.

“Com soberana liberdade e em silêncio
Aceitas, como vontade do Pai,
A sentença de morte:
Tão desprendido estás de ti mesmo
Plenamente livre
Para seguir só o que é do Pai.”

“Cada vez que eu feri a verdade,
A Justiça e o amor
E por cobardia me opus aos teus desejos,
Com eles me afastei de Ti,
Privei do teu amor
A terra de Schoenstatt.”

Décima segunda Estação: Jesus morre na cruz.

“Para nos conduzir
Segura e rapidamente a Ti
Queres, ao morrer, entregar-nos a tua Mãe:
“Eis o teu filho, Eis a tua Mãe,”
Assim ressoa a tua palavra a partir da cruz,
O teu trono real.”

“Cada vez que eu contemplar a Tua cruz,
Me sirva, para não confiar mais
No dinheiro e nos bens
E, assim, entregar-me com facilidade
Totalmente a Ti e à Tua Mãe,
Com o coração e o pensamento.”

Décima terceira Estação: Jesus é deposto no regaço da Sua Mãe.

“Depois de vencer a morte e o demónio,
Esgotado, és deposto
No regaço da Tua Mãe
Estás unido a Ela com tanta profundidade e ternura
Que no nosso coração
Resplandece calidamente o plano do Pai.”

“Que como filho, eu permaneça fiel a esta Mãe,
Inscreva profundamente
O seu nome nos corações;
Então o sofrimento que perpassa os povos
Desperta um canto de redenção
Que ressoa jubiloso.”

Fami e Paulo

Nota: Foram utilizados excertos do site www.abcdacatequese.com e pt.wikipedia.org

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Quinta Feira Santa - Instituição da Eucaristia



Tomai, todos e comei: Isto é o meu Corpo que será entregue por vós.
Depois, tomou nas suas mãos o cálice com vinho e disse-lhes: Tomai, todos e bebei: Este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos os homens para remissão dos pecados.”

Foi com estas palavras que na noite de quinta-feira Santa, Jesus Cristo no decorrer da Ultima Ceia, com os seus Apóstolos, instituiu a Eucaristia.
E o que significa Eucaristia?
É o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, que Ele instituiu para perpetuar o sacrifício da cruz no decorrer dos séculos até ao seu regresso, confiando assim à sua Igreja o memorial da sua Morte e Ressurreição. É o sinal da unidade, o vínculo da caridade, o banquete pascal, em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da vida eterna.
Na Última Ceia, Jesus levantou-se da mesa, tomou uma toalha e começou a lavar os pés aos seus discípulos. Com este gesto, Jesus deu-nos um exemplo: veio para servir e não para ser servido.
Ficou assim instituída a Eucaristia como sinal de total entrega de Jesus Cristo por cada um de nós. Por isso, sempre que celebramos hoje a Eucaristia, celebramos essa entrega de Jesus na Sua Morte e Ressurreição.
A celebração da Eucaristia é fonte e cume da vida cristã. Nela atingem o auge e acção santificadora de Deus em nosso favor e o nosso culto para com Ele. Está também contido na Eucaristia todo o tesouro espiritual da Igreja: o próprio Cristo, nossa Páscoa. A comunhão da vida divina e a unidade do Povo de Deus são significadas e realizadas na Eucaristia. Pela celebração eucarística, unimo-nos desde já à liturgia do Céu e antecipamos a vida eterna.
Jesus Cristo está presente na Eucaristia dum modo único e incomparável. De facto, está presente de modo verdadeiro, real, substancial: com o seu Corpo e o seu Sangue, com a sua Alma e a sua Divindade. Nela está presente em modo sacramental, isto é, sob as espécies eucarísticas do pão e do vinho, Cristo completo: Deus e homem.

Na encíclica “Ecclesia de Eucharistia”, (17 de Abril de 2003), João Paulo II diz:
“A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja.”
Mais à frente na mesma encíclica, diz o Papa João Paulo II:
“O mistério eucarístico – sacrifício, presença, banquete – não permite reduções nem instrumentalizações; há-de ser vivido na sua integridade, quer na celebração, quer no colóquio íntimo com Jesus acabado de receber na comunhão, quer no período da adoração eucarística fora da Missa. Então a Igreja fica solidamente edificada e exprime-se o que ela é verdadeiramente: una, santa, católica e apostólica; povo, templo e família de Deus; corpo e esposa de Cristo, animada pelo Espírito Santo, sacramento universal de salvação e comunhão hierarquicamente organizada.
Dando à Eucaristia todo o realce que merece e procurando com todo o cuidado não atenuar nenhuma das suas dimensões ou exigências, damos provas de estar verdadeiramente conscientes da grandeza deste dom.
E não há perigo de exagerar no cuidado que lhe dedicamos, porque neste sacramento se condensa todo o mistério da nossa salvação.”

“Fazei isto em memória de mim!”

Com estas palavras, Jesus Cristo diz-nos a importância que a Eucaristia tem para os cristãos, pois ao pedir que repetissem os seus gestos e palavras, Ele não pedia somente que nos lembrássemos Dele e daquilo que fez. Tinha como intenção fundamental a celebração litúrgica, pelos apóstolos e seus sucessores, do memorial de Cristo, da sua vida e morte, ressurreição e da sua intercessão junto do Pai.

"Na Eucaristia, "partimos o mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, mas para viver eternamente em Jesus Cristo"" (Santo Inácio de Antioquia)

Fami e Paulo

Nota: Para a elaboração deste trabalhó foram retirados excertos da Catecismo da Igreja Católica e da Encíclica "Ecclesia de Eucharisti" do Papa João Paulo II.

domingo, 28 de março de 2010

Domingo de Ramos



“Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice.
Todavia, não se faça a minha vontade, mas a Tua”.


O Domingo de Ramos é a festa litúrgica que celebra a entrada de Jesus Cristo na cidade de Jerusalém. É também a abertura da Semana Santa.
Segundo os Evangelhos, Jesus foi para Jerusalém para celebrar com os seus discípulos a Páscoa Judaica.
Entrou na cidade de Jerusalém, como um Rei, mas montado num jumento (símbolo da humildade) e foi aclamado pela multidão como o Messias, Rei de Israel.
A mesma multidão que O aclamava com cânticos como: “Hossana ao filho de David”, passados poucos dias, pedia a Pilatos a sua crucificação.
Neste dia, são habituais procissões em que os fiéis levam consigo ramos de oliveira ou palmeira, o que deu origem ao nome da celebração.
Esta celebração já se realizava em Jerusalém no século IV, passando depois a ser também celebrada em todas as Igrejas do Oriente, chegando a Roma no século VIII, de onde irradiou para todo o Ocidente.
Após o Concílio Vaticano II, a reforma litúrgica, simplificou o ritual desta celebração, sem que contudo perdesse a dignidade.
Esta celebração relaciona-se de tal maneira com a Missa, que não faz sentido realizá-la em separado desta.
Na Missa deste dia, faz-se a proclamação da Paixão do Senhor, segundo um dos Evangelhos e de preferência dialogado por três leitores.
A liturgia deste último Domingo da Quaresma convida-nos a contemplar Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz, que a liturgia deste dia coloca no horizonte próximo de Jesus, apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova, que em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.
O Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e a morte de Jesus: é este o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de nos libertar de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz revela-se o amor de Deus, esse amor verdadeiro que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.

“Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?
Hei-de falar do Vosso nome aos meus irmãos,
Hei-de louvar-Vos no meio da assembleia.
Vós que temeis o Senhor, louvai-O,
Glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob,
Reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel.”
(Salmo 21)

“Hossana! Crucifica-O!...” Gritos de alegria! Gritos de ódio!... A mesma multidão! E o nosso grito hoje? Somos discípulos de Jesus quando está tudo bem… e prontos a negá-lo quando nos sentimos comprometidos com Ele?
Durante a semana Santa, tornemos o tempo de parar com São Paulo a fim de revivificar a nossa fé em Cristo Jesus imagem de Deus… baixando-se até à morte na Cruz … elevado acima de tudo…”
Ousemos proclamá-lo pela nossa vida “Cristo e Senhor para a Glória do Pai”!
Vivamos a Semana Santa na oração e na contemplação de Jesus Cristo, a essência do nosso ser e da comunhão de Irmãos em Igreja!
Como Maria que acompanhou seu filho, Jesus, até ao Calvário, sejamos nesta Semana Santa, também companhia Dele e através da oração vamos aliviar o peso da cruz.

(Fontes: Conferência Episcopal Portuguesa, Enciclopédia Católica Popular e pt.wikipédia.org.)

Fami e Paulo

quarta-feira, 10 de março de 2010

Quaresma - porquê e para quê?


Jesus levando a sua (e nossa) cruz

A Quaresma é o tempo litúrgico de conversão, que a Igreja marca para nos preparar para a grande festa da Páscoa. Pretende-se que seja um tempo de arrependimento dos pecados cometidos e de mudança nas nossas vidas, para podermos ser melhores e assim vivermos mais próximos de Cristo.
O tempo da Quaresma surgiu no século IV, quando se dá a tendência para a constituir como tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática de jejum e de abstinência.
Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa, com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d.c., a Igreja aumentou esse tempo de preparação para 40 dias. Surgiu assim a Quaresma.
A Quaresma tem o seu início na quarta-feira de cinzas e termina na quinta feira Santa, com a celebração da Missa vespertina, tendo a duração de quarenta dias.
Esta duração de 40 dias é baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia, onde este número é mencionado muitas vezes. Assim, temos os 40 dias do dilúvio, os 40 anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos 40 dias de Moisés e Elias na montanha, dos 40 dias que Jesus passou no deserto antes de iniciar a sua vida pública e ainda dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egipto.
Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material e seguido de zeros significa o tempo da nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades.
A cor litúrgica deste período é o roxo, que significa luto e penitência.
A Igreja propõe aos seus fiéis, através do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de orientação: oração, penitência e caridade.

Porquê jejuar durante este tempo quaresmal?

A Igreja propõe o jejum, principalmente como forma de sacrifício, mas ao mesmo tempo, como modo de educação, de ir percebendo que mais do que bens materiais, o que o Homem necessita é de Deus.
O jejum é uma forma de penitência que consiste na privação de alimentos. Na disciplina tradicional da Igreja a concretização deste preceito, fazia-se limitando a alimentação diária a uma refeição, embora se pudessem tomar alimentos ligeiros às horas das outras refeições. Ainda que se possa manter esta forma tradicional de jejuar, os fiéis poderão jejuar, privando-se de uma quantidade de alimentos ou bebidas, que lhe sejam agradáveis, fazendo assim penitência.
Por sua vez, a abstinência consiste em fazer uma alimentação simples e pobre. Na disciplina da Igreja, consistia em não comer carne. Pode manter-se esta forma de abstinência, ou ser substituída pela privação de outros alimentos, sobretudo aqueles mais requintados e dispendiosos, ou aqueles de especial preferência de cada um.
O jejum e a abstinência, são para os cristãos, obrigatórios na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira Santa e em todas as sextas feiras, principalmente nas da Quaresma, deve-se manter o preceito da abstinência.
A abstinência é obrigatória para os cristãos com mais de 14 anos e o jejum para todos os que tiverem mais de 18 e até completarem os 59 anos de idade.
Na Quaresma, pretende-se também que os cristãos aprendam a conhecer e apreciar a Cruz de Jesus, pois assim começam a aceitar melhor a sua cruz, a encará-la com alegria, para poderem alcançar também a glória da ressurreição.
Já o Papa Pio XI, na sua encíclica “Caritate Christi”, publicada em 03 de Maio de 1932, falava sobre a importância da penitência para a vida cristã:

“É necessário que a penitência acompanhe a oração: o espírito e a prática da penitência cristã. Assim o ensina o Divino Mestre, quando iniciou sua pregação pela penitência: “Jesus começou a pregar e a dizer: fazei penitência”Mateus 4, 17). Assim também ensina toda a tradição cristã e a história da Igreja nas grandes calamidades, nas grandes tribulações da Cristandade. Quando mais necessário se tornava o auxílio divino, os fiéis, por vezes, espontaneamente e outras vezes seguindo o exemplo e a exortação de seus pastores, têm, sempre lançado mãos destas duas armas poderosíssimas da vida espiritual: a oração e a penitência”.

Mais à frente, escreve ainda o Santo Padre:

“A penitência, é uma arma salutar posta às mãos dos aguerridos soldados de Cristo, desejosos de combater pela defesa e restabelecimento da ordem moral do universo. É uma arma que fere mesmo a raiz de todos os males, ou seja: a cobiça das riquezas materiais e a concupiscência (desejo) dos prazeres dissolutos da vida”.

Esperamos que esta Quaresma, seja para todos um tempo de reflexão e alguma penitência, sempre com o pensamento no lema quaresmal diocesano:

“Tudo é possível a quem crê.”

Fami e Paulo

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Mensagem para a Quaresma


Imagem de Jesus Cristo meditando antes de ser tentado

“Tudo é possível a quem crê!”

É este o lema que a Igreja diocesana nos convida a viver na caminhada quaresmal deste ano de 2010.
Durante os próximos quarenta dias a liturgia convida-nos a acompanhar o Cristo sofredor que é preso e condenado por anunciar o Reino. Queremos, por isso, percorrer este caminho na oração, contemplação, jejum, penitência, reconciliação e caridade. Através destas atitudes renovamos a nossa vida cristã na fé, abrindo a nossa mente á relação profunda com Deus.

Nesta relação tomamos consciência da loucura do Amor de Deus por cada um de nós, ao ponto de se deixar aniquilar a Si mesmo tomando a nossa natureza humana. E nós queremos também viver esta loucura do amor em relação aos nossos irmãos.

Na sua mensagem para a Quaresma, o nosso Bispo convida-nos a “procurar com assiduidade a Palavra de Deus, a fortalecer a vida com o sacramento da Penitência e da Eucaristia” pedindo que possamos crescer “na maturidade da fé e no compromisso cristão”. Traça assim um verdadeiro caminho que nos propomos percorrer na fé, com audácia e coragem, conscientes de que Deus convida cada um de nós a fazer com Ele o caminho de redenção.

Viver uma fé sólida e esclarecida é o que nos permite ser testemunha do amor de Deus neste mundo, vencendo as tentações do ter, do poder e do facilitismo que refere o Evangelho do primeiro Domingo da Quaresma.
Se por um lado a referência à fé em Cristo Salvador é a única forma de vencer as tentações, convido-vos também a que aproveiteis a Quaresma para viver na atitude de entrega a Deus de coração, como expressão de gratidão por tudo o que de Deus vamos recebendo.

Especialmente neste Ano Jubilar e de graças na celebração dos 50 anos de Schoenstatt em Portugal, oferecemos e vivemos esta atitude de gratidão a Deus pela nossa Família de Schoenstatt.

Pe. Carlos Alberto P. Sousa

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Mensagem do Bispo de Aveiro para a Quaresma de 2010


“Tudo é possível a quem crê!”



Irmãos e Irmãs,



1. A Quaresma é tempo de salvação e de graça que marca o ritmo de vida da Igreja. Queremos viver este tempo com verdade, como um estado de espírito e de caminhada na fé que tomamos para nós e para as nossas comunidades. Nenhum de nós vive sozinho, por mais só, isolado ou abandonado que esteja. Vivemos em família, em sociedade e em Igreja decididos a construir como nos propúnhamos no primeiro dia deste ano, dia mundial da paz, um equilíbrio ecológico saudável com toda a criação. Como Igreja Diocesana, mãe e educadora da fé, comprometemo-nos nesta II.ª Etapa do Plano Diocesano de Pastoral a proporcionar momentos de formação para as comunidades no seu todo, tendo como tema: “A fé, fundamento da Esperança”. Estamos conscientes de que tudo é possível a quem crê e por isso queremos despertar para uma vida nova e testemunhar a nossa fé com alegria e verdade! A dimensão baptismal e a dimensão penitencial estarão presentes ao longo deste tempo com mais incidência e esforço, levando-nos a procurar com assiduidade a Palavra de Deus, a fortalecer a vida com o sacramento da Penitência e da Eucaristia e a mobilizar as comunidades para crescerem na maturidade da fé e no compromisso cristão. Só Cristo é fonte de água viva, luz do mundo e cura redentora que vence o pecado e ultrapassa a morte. A Quaresma e a Páscoa proporcionam um tempo de caminhada espiritual para quem faz do sonho humano e do projecto cristão uma convicção de fé, uma atitude de fidelidade, um caminho de conversão, uma experiência de revisão de vida, um encontro feliz com Deus e um louvor pascal permanente.
2. A mensagem do Santo Padre para esta Quaresma lembra-nos que “a justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo” (Rom 3, 21-22). Todos sabemos que aquilo de que a humanidade mais precisa não lhe pode ser garantido por lei. O homem necessita de um existência em plenitude que nasce da justiça de Deus, cresce na fé e é fruto precioso do mistério redentor da cruz e da Páscoa. Converter-se a Cristo e acreditar no Evangelho é caminho para esta existência de plenitude. Com Cristo, justiça de Deus, o mal já não terá domínio sobre nós, a pobreza será erradicada e a injustiça eliminada do coração humano. Só Deus levanta do pó o indigente e só Ele nos fará compreender os horizontes novos, inesperados e surpreendentes da justiça, inaugurados pela Páscoa, em que o justo é capaz de morrer pelo culpado para que o culpado receba em troca a bênção do justo. Cristo é este Justo que no mistério da cruz e da redenção se ofereceu pelos culpados. Sabemos, como nos lembra o Santo Padre, que a fé não é um facto natural, cómodo, óbvio. É preciso humildade para acreditar, coragem para confiar, perseverança para ser fiel e para descobrir que precisamos de Deus, do seu amor e da sua misericórdia. Com passos firmes e corajosos, queremos, como cristãos, caminhar na esperança, vencer a rotina, viver da fé e educar para a justiça.
3. Todos clamamos por mudança de sistemas e sentimos a complexidade, o distanciamento dos valores da vida e a morosidade da justiça humana. Não basta a existência da lei nem a sua aplicação para que sejamos resposta e amparo, segundo as bem-aventuranças, para os que têm fome e sede de justiça. A sociedade tem, no campo específico da justiça como noutros horizontes da vida, um longo caminho a percorrer. O realismo da vida social, os clamores do povo e as situações concretas de injustiças humanas dizem-nos que os cristãos são chamados, pela abertura de coração, pela verdade da fé e pela transparência da vida, a contribuir para instaurar a justiça no coração da cidade dos homens e mulheres do nosso tempo e na vida das pessoas, das famílias, das empresas e das instituições.
4. A consciência da nossa fé, a responsabilidade de cada pessoa na construção do bem comum, o conhecimento de tantos dramas pessoais e sociais, a sensibilidade diante do sofrimento humano, o espírito de partilha com os que mais precisam, lutam e sonham e a atenção a todos os que batem à nossa porta ou a muitos outros que se escondem no anonimato da sua pobreza e se vestem com a tristeza da sua miséria devem tornar-nos mais atentos e disponíveis, mais solícitos e solidários. A justiça completa-se com a caridade, fonte inesgotável de amor, de generosidade e de dom. É com este espírito de caridade cristã e de partilha solidária que vos convido, amados diocesanos, a uma generosa renúncia quaresmal, que este ano orientaremos para a Igreja de Cabo Verde e para o Fundo Diocesano de Emergência Social, criado na nossa diocese, de acordo com a decisão assumida no Plano Diocesano de Pastoral Sócio-Caritativa. A ajuda à Igreja de Cabo Verde e concretamente à paróquia de S. Miguel e ao Centro Social Paroquial do concelho da Calheta, na diocese de Santiago, empenhado na promoção feminina, no apoio a mães solteiras, na alfabetização de adultos e no Centro juvenil inscreve-se no contexto e na consolidação de um projecto anterior de voluntariado missionário, através da colaboração do nosso Colégio de Calvão e da presença e do trabalho nessa paróquia de vários membros da nossa Igreja diocesana. Este sentido dado à renúncia quaresmal não nos dispensa de continuarmos a contribuir com generosidade, através da Cáritas Diocesana, para minorar o sofrimento do povo mártir do Haiti e ajudarmos pelos caminhos da comunhão entre Igrejas a reconstruir esse País e a dotar a Igreja local das estruturas de que necessita para a sua missão. Assim como não nos impede de, particularmente neste Ano Internacional de luta contra a pobreza e exclusão social, continuarmos a trabalhar para erradicar a pobreza no nosso meio, minorando dores e provações por que passam muitos dos que vivem ao nosso lado.
5. A vivência do Ano Sacerdotal como sinal mais visível da beleza do ministério e do testemunho de fidelidade dos sacerdotes e a próxima visita do Santo Padre a Portugal sob o lema: “contigo caminhamos na Esperança” devem ajudar-nos a viver esta Quaresma e o Tempo Pascal com a consciência de sermos povo santo e sacerdotal e fermento de um mundo novo e melhor. Caminhando com o Santo Padre na fé e na esperança, acolhemos o convite que esta Quaresma nos traz para nos convertermos a Cristo, acreditarmos no Evangelho e construirmos a justiça, manifestando como pessoas, famílias e comunidades a fecundidade da cruz e a alegria da Páscoa.
Aveiro, 17 de Fevereiro de 2010
António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro
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